Laicato e Missão

Por Fátima Bazeggio*

Dias atrás alguém me questionou porque eu era uma Leiga Missionária da Consolata (LMC) e isso detonou uma reflexão que partilho aqui com vocês, já que o despertar da minha vocação missionária surgiu há muitos anos atrás devido à proximidade com os missionários e as missionárias da Consolata no Imirim, São Paulo.

Cresci em uma época onde o laicato era considerado vocação de segunda linha e o leigo classificado como aquele que não pertence ao clero e por isso deveria servi-lo. Aqueles que nas orações litúrgicas ficavam sempre em último lugar, que nem sempre tinham vez ou voz, para decidir ou se responsabilizar. Visto que a maioria não teve acesso a uma formação adequada, era tratado pelo clero como cabelo e unha que são cortados na medida que crescem. O Concílio Vaticano II em seus documentos iniciou um processo para corrigir essa desigualdade e depois de mais de 50 anos de passos lentos, o papa Francisco coloca de forma efetiva nas mãos dos leigos o seu real protagonismo, para assumir sua vocação e missionariedade na Igreja assim como na sociedade, com a dignidade de buscar por mais formação e atuar como elemento libertador a serviço da missão de forma preferencial aos menores do Reino.

Desafio

O clericalismo colocou a missão Ad Gentes predominantemente nas mãos de padres, religiosos e bispos e foi preciso que o leigo se apropriasse dessa dimensão da missão como resposta ao seu batismo, para a Evangelização dos povos e a promoção da vida. A finalidade da próxima assembleia geral do Sínodo dos Bispos em outubro deste ano é de acompanhar os jovens através de um processo onde possam discernir o seu projeto de vida e realizá-lo com alegria, abrindo-se ao encontro com Deus e com a humanidade, participando ativamente da edificação da vida da Igreja e da sociedade, seja na forma laical ou religiosa.

Esse mesmo desafio é proposto aos LMC como necessidade de viver a sua fé e vocação com a alegria de viver e testemunhar Jesus Cristo, caminho verdade e vida, a partir do seu cotidiano, respeitando as diferenças, sendo críticos com os valores da pós-modernidade e da tecnologia, conhecedores e amantes da missão, verdadeiros seguidores e discípulos missionários de Jesus em igual dignidade com o clero.

A identidade LMC se desenvolve na simplicidade do bem bem-feito, com características próprias da vida laical, com espiritualidade de itinerância, de fronteira e de periferia.

O chamado como dom de Deus e a paixão pela missão foi o motivo que gerou a opção de conhecer, aprofundar e viver o carisma do Bem-aventurado José Allamano. Dessa forma, assim vejo respondida a pergunta a mim dirigida: "por que você é uma LMC?"
*Fátima Bazeggio, LMC, São Paulo, SP.